Quando se pensa em praias e ilhas no Paraná, logo lembramos na Ilha do Mel. Mas tem um lugar muito especial,
ainda mais rústico, com uma natureza exuberante, onde a paz reina absoluta: Ilha de Superagui.
Superagüi, cujo nome, de origem Tupi-Guarani, significa “Rainha dos Peixes”, referindo-se à riqueza de vida marinha e à beleza natural da região, um paraíso ecológico protegido pela UNESCO como Reserva da Biosfera (1991).
A Ilha de Superagui protege belíssimas paisagens de restinga, manguezal e floresta, emolduradas ao longe pelas montanhas da Serra do Mar, de um lado, e pelo imenso e agitado Oceano Atlântico, do outro.
História

A Colônia de Superagui foi fundada, em 1852, pelo cônsul suíço em São Paulo, Charles Perret-Gentil, que comprou 35 hectares na região de Guaraqueçaba, no Paraná.
Treze famílias europeias, vindas da Suíça, França, Itália e Dinamarca, foram as primeiras a chegar.
O pintor William Michaud, que ali viveu, retratou em suas aquarelas as paisagens da região. A colônia prosperou com a plantação de café e com a pesca. Chegou a ter 150 casas em 1879. Com a dispersão dos descendentes dos primeiros colonos, o censo de 1920 registrou apenas 125 moradores.
Canal do Varadouro
A Ilha de Superagui está localizada no norte da baía de Paranaguá, mas ela nem sempre foi uma ilha. Até 1952 Superagui fazia parte do continente e era conectada ao continente por uma faixa de areia chamada Varadouro.
Desde a época do Império Brasileiro reivindicava-se à abertura de um canal que facilitaria a ligação entre Paranaguá e Cananéia, duas poderosas cidades naquele tempo.
O canal foi aberto para abrir passagem para os barcos dos pescadores, que, até então, precisavam “varar” a terra para dar passagem às suas canoas — daí o nome “Varadouro”. De quebra, o canal deu origem à Ilha de Superagüi, que hoje faz parte de um parque nacional.
O nome Varadouro é oriundo da necessidade dos viajantes ou comerciantes de “varar” a terra para dar passagem às suas canoas. O Canal do Varadouro foi aberto em meados dos anos 1950 e de quebra deu origem à Ilha de Superagüi, que hoje faz parte de um parque nacional.
Hoje o canal liga à região lagunar de Cananéia à Baia dos Pinheiros em Paranaguá. Com o passar do tempo o transporte de mercadorias passou a ser feito pela BR-116 e outras rodovias. O canal começou a perder sua importância comercial, mas os habitantes de diversas comunidades situadas na região ainda fazem uso diário dele.
Ararapira
Seguindo pelo canal do Varadouro em direção à Cananéia, antes de chegar à Barra do Ararapira, uma das duas saídas
do canal para o mar aberto, encontra-se à comunidade de Ararapira. A história desta comunidade perde-se no tempo da história do Brasil e já foi muito movimentada e importante.
Com a abertura de estradas e à formação da Ilha, a comunidade foi ficando mais isolada. O regime das marés alterado pela abertura do canal do Varadouro passou a roubar as casas da vila. São José do Ararapira, seu nome original, é hoje uma vila abandonada.
Mas até hoje ela volta a vida plena no dia de São José, dia 19 de março, onde todas as comunidades vizinhas se unem ali para uma grande festa.
Cataia

É nessa região, da Barra do Ararapira, que nasceu à tradição do Whisky Caiçara (Cachaça curtida com folhas de Cataia). A Cataia (Pimenta pseudocaryophyllus) é uma árvore nativa dessa região. Suas folhas são tradicionalmente usadas pelas comunidades locais por suas propriedades medicinais e aromáticas.
Na década de 1980, a comunidade da Barra do Ararapira deu início ao hábito de curtir aguardente com as folhas da planta. Estas suavizam a acidez da bebida, além de proporcionar um sabor único, muito prestigiado pelos moradores e visitantes da ilha.
Animais endêmicos
Hoje Superagüi é um dos poucos pontos brasileiros declarados Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. É neste ambiente que vive um animal raro e endêmico, o mico-leão da cara preta. Infelizmente esta espécie só foi descoberta nos anos noventa, quando já estava ameaçada de extinção.
Outra espécie ameaçada de extinção que habita a região é o papagaio da cara roxa, também conhecido como papagaio chauá. Esta ave encontrou na Ilha do Pinheiro o lugar ideal para se reproduzir e pra se proteger.
Uma ótima notícia é que o Guará, que já foi ameaçado de extinção, voltou a repovoar a região e hoje podemos ver berçários e revoadas de guarás em várias partes ao redor da Ilha.
Praia Deserta
Um dos principais atrativos é a Praia Deserta. Como o próprio nome diz, não há muito o que fazer além de curtir o mar e caminhar pelas suas areias brancas. São 38 km de restinga, areia e mar. A praia começa junto ao rio que corta parte da ilha. Termina no extremo norte, no canal Varredouro, onde a ilha faz a divisa com o estado de São Paulo.
Apesar de ser uma longa extensão de praia deserta, há ainda uma família que mora lá, bem no meio dela: A família da D.Rosa. Ela viveu ali por mais de 50 anos. Hoje seu filho continua acolhendo os poucos andarilhos que se aventuram à cruzar as areias brancas e firmes desse paraíso!
Navio Fantasma
Em 1969, o navio pesqueiro Sin Hai II partiu de um porto no sul da ilha de Taiwan, passou por Singapura Ilhas Maldivas e cidade do Cabo, mas ficou à deriva no Atlântico e acabou encalhando, tornando-se o cenário de um grande mistério.
Relatos indicam que, antes do encalhe, uma tragédia aconteceu a bordo: O cozinheiro, ao conectar a mangueira que fornecia oxigênio aos alojamentos da tripulação a um reservatório de gás amônia, que era usado para congelar peixes, causou a morte de 22 tripulantes por asfixia, já que trancou as portas dos quartos por fora. Ele poupou o comandante, o chefe da casa de máquinas e um marinheiro, que foi forçado a jogar os corpos ao mar e, em seguida, tirou a própria vida.
O responsável pela tragédia foi preso e enviado à China, onde foi executado. Os outros dois sobreviventes, profundamente traumatizados, foram encaminhados para o hospital.
O aposentado Querino Gabriel da Silva liderou a operação para liberar o navio, uma vez que a seguradora havia desistido e concordou apenas em firmar um contrato de risco: pagaria pelo serviço somente se o navio fosse resgatado. Para isso, o Sin Hai II precisava de uma maré alta, e ninguém conseguia prever quando isso aconteceria.
A maré alta finalmente ocorreu em 27 de março de 1971, marcando o fim de uma ousada operação que até a companhia de seguros duvidava que fosse bem-sucedida. Após ser desencalhado, o navio seguiu para o porto de Santos, onde foi entregue à seguradora. Atualmente, continua operando nos mares de Portugal.
Venha conosco
E aí, vamos conosco conhecer um pouco de Superegui conosco?
Em fevereiro/2026 teremos um roteiro que vai da Ilha das Peças e a Ilha de Superagui: Confira aqui.












